Gerdau vende usinas produtoras de vergalhão nos EUA para a CMC

A Gerdau e a Commercial Metals (CMC) firmaram um acordo de venda de algumas das usinas produtoras de vergalhão da Gerdau. Também entraram no negócio unidades de corte e dobra de aço e centro de distribuição – todos nos Estados Unidos. O valor do negócio é de US$ 600 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão). A transação está sujeita à autorização dos órgãos reguladores e às condições habituais de fechamento, de acordo com o comunicado anunciado pela Gerdau nesta terça-feira (2). O acordo inclui as usinas de Jacksonville (Flórida), Knoxville (Tennessee), Rancho Cucamonga (Califórnia) e Sayreville (New Jersey). Somadas, elas possuem uma capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano. O contrato também inclui a aquisição de unidades de beneficiamento de vergalhões e distribuição.

“A decisão de vender unidades produtoras de vergalhão nos Estados Unidos é parte de nosso processo de transformação global, buscando nos tornar rentáveis no mercado norte-americano, que é extremamente competitivo. Essa transação representa um marco em nossa estratégia para reduzir o endividamento da empresa e focar em oportunidades com maior retorno nos mercados em que operados”, assinala André Gerdau Johannpeter, vice-presidente executivo do Conselho de Administração da companhia.

Oficialmente no dia 1º de janeiro, André passou o bastão da Gerdau para Gustavo Werneck. Uma das tarefas que o sucessor terá de executar será a de baixar a alavancagem financeira de 3,4 vezes para 2,5 vezes. Esse foi um dos detalhes revelados por André em uma entrevista ao jornal Valor Econômico desta terça-feira. Na reportagem, que é assinada pelos jornalistas Ivo Ribeiro e Renato Rostás, o membro da família Gerdau disse que a reavaliação de ativos envolve desfazer-se de negócios que não tragam rentabilidade de pelo menos 1% acima do custo de capital.

Ao comentar o fato de estar no Conselho, André declarou que esse é um passo importante, pois uma primeira medida será reforçar o papel dos comitês no colegiado. “Vai ser melhor para colher e propor assuntos de discussão no âmbito do conselho”, destacou. Ao Valor, André contou que visitou companhias como Ambev, Natura e Itaú que já seguem esse modelo. O atual VP executivo admitiu que, se há um arrependimento, é o de não ter começado as mudanças mais cedo, antes de 2013. “É uma indústria cíclica, de capital intensivo, mas pode ser ágil e adaptável. Mudar é necessário. Se tivesse algo que teria feito, de forma diferente, seria iniciar mudanças mais cedo do que em 2013”, afirmou.

O executivo também considerou que a imagem da Gerdau “não foi arranhada” pela Operação Zelotes, que envolveu o grupo por supostos crimes junto ao conselho Administrativo de Recursos Federais, o Carf.

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