O politicamente incorreto em debate no Fórum da Liberdade

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O quinto painel do Fórum da Liberdade reuniu, no último dia do evento, o editor do Spiked Online, Brendan O’Neill; a escritora, Lya Luft; e o jornalista, Leandro Narloch; para debater o uso das palavras e o que é o politicamente incorreto. Os intelectuais defenderam o uso livre das formas de expressão como forma de diminuir os preconceitos e as diferenças.

Brendan O’Neill disse que o conceito do politicamente incorreto está espalhado em todos os âmbitos: entre os militares, no ambiente escolar, nas relações familiares, nas cidades, na imprensa. “Nos tornamos obcecados com as palavras”, disse, exemplificando uma situação em que militares escreveram ofensas aos terroristas em uma bomba. “A sociedade norte-americana pedia para que os militares lançassem as bombas, mas se revoltou com os termos politicamente incorretos das ofensas”, disse. “Tudo bem lançar bombas na pessoas, mas não pode ofendê-las”, ironizou. Ele aponta que o controle imposto sobre a linguagem acaba controlando o modo de pensar das pessoas. “O politicamente correto é uma forma de policiamento do pensamento”, disse, criticando a falta de tolerância da sociedade que quer punir a liberdade de expressão e de opinião. “Se não temos a liberdade de nos expressar, todas as outras liberdades somem”, afirmou.

Lya falou sobre o uso e a forma das palavras. Em sua trajetória escreveu dezenas de romances, poesias e atuou como tradutora. Ela defende o livre uso das palavras e afirma que o uso excessivamente controlado das expressões fomentam a diferença e o preconceito. “O politicamente correto é um dos maiores fomentadores do preconceito”, disse, explicando que as palavras não servem só para emocionar mas também são instrumento de transformação de ideias. “Palavras são como plumas e punhais: num momento são doces; noutro ferem”, declarou. Sobre as questões feministas, esclarece que é a favor das lutas por direitos, mas disse que a mulher não tem de ser sempre a vítima. “Na minha trajetória, se houve preconceito, não percebi”, disse. “O mundo moderno seria o mundo da liberdade, em vez disso, ficamos amarrados no politicamente correto”, apontou.

Narloch falou sobre a liberdade de pensamento e disse que as pessoas têm o poder de mudar costumes e criar novos caminhos para a transformação dos padrões. “Quem censura a liberdade, em geral, somos nós mesmos”, disse, falando que a sociedade acaba cedendo ao discurso comum da imposição do politicamente correto. “Devemos falar todos os dias na frente do espelho: – eu sou livre para pensar”, falou.

Sobre o IEE

O Instituto de Estudos Empresariais foi fundado em Porto Alegre há mais de 30 anos por 20 integrantes. A entidade tem como intuito a formação de jovens lideranças empresariais que se comprometam com um modelo de organização social e política para o Brasil baseado no ideal democrático de liberdades individuais e orientado à defesa e manutenção dos valores da economia de mercado e da livre-iniciativa. Desde 1988 o IEE promove anualmente o Fórum da Liberdade – consagrado nacionalmente e considerado o maior evento liberal da América Latina.

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