Propostas para um novo Brasil

O governo de Jair Bolsonaro tem uma agenda desafiadora pela frente e precisa aproveitar o período de “lua de mel” após as eleições. A Agência CNI de Notícias ouviu especialistas que indicam caminhos para recolocar o Brasil entre os países que mais crescem no mundo

Sem as reformas da Previdência e tributária, o país continuará perdendo competitividade. A nova configuração política, tanto no Executivo quanto no Legislativo, terá de costurar um acordo para promover mudanças. A primeira série especial de reportagens de 2019 da Agência CNI de Notícias se dedica à discussão de desafios urgentes e à necessidade de solucionar antigos dilemas do país para garantir ciclos sustentados de desenvolvimento.

Além das reformas necessárias, a série de seis videorreportagens traz a visão de empresários, economistas e especialistas sobre educação, infraestrutura, inovação, segurança jurídica e comércio exterior e mostra como cada um dos fatores impacta o cotidiano de todos os brasileiros.

O especial tem como guia dois documentos elaborados pela CNI: a Agenda dos 100 Dias – Brasil 2019, que reúne 36 propostas prioritárias para os primeiros meses de governo, e o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, elaborado com a participação de líderes empresariais e que é, na realidade, uma agenda para o Brasil, pois visa à construção, nos próximos anos, de uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional.

“É preciso adotar ações para melhorar o ambiente de negócios, desburocratizar e garantir segurança jurídica à atividade econômica, tornar o governo mais eficiente na oferta de serviços públicos, viabilizar investimentos na infraestrutura, em parceria com o setor privado, promover o aumento da produtividade e ampliar a inserção internacional do país”, resume Robson Andrade.

Reportagem 1: Reformas necessárias
Aos 57 anos, Marcelo Menezes trabalha na área de Panificação. “Não tenho vontade de me aposentar, sou muito jovem para isso. Tenho muito mais condições de produzir hoje do que no início da carreira”, acredita. Marcelo exemplifica a atual realidade do Brasil: as pessoas estão vivendo mais e melhor e, com isso, a reforma da Previdência se torna fundamental para a economia do país. “Se a pessoa se aposenta cedo, ela vai depender mais do sistema previdenciário, que não terá condições de se sustentar”, afirma o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

As reformas da Previdência e a tributária são consideradas fundamentais e urgentes por especialistas. “O novo governo precisa elencar a reforma tributária como item prioritário de pauta para que o Brasil possa não só voltar a crescer, mas também para que também se possa atacar um dos nossos principais problemas históricos, que é a desigualdade social”, destaca o advogado tributarista Kauê Machado. Assista:

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Capítulo 2: Educação
Depois de um dia intenso de trabalho em alguma empresa, ou mesmo em casa, muitos pais começam outra jornada: ajudar os filhos nas lições da escola. Pode até parecer algo simples, mas não para centenas de milhares de brasileiros que por algum motivo deixaram de frequentar as salas de aula. Esse mesmo conhecimento que os pais precisam para apoiar os filhos nos estudos também faz falta no emprego pra muita gente. É que sem preparação adequada ou alguma formação, fica mais difícil evoluir no trabalho, principalmente quando se trata de uma promoção.

É por isso que o ensino médio de qualidade pode fazer toda a diferença, principalmente se aliado à educação profissional. E é aí que entra o novo ensino médio proposto pelo SESI e pelo SENAI. A ideia é fazer com que o aluno não saia da escola apenas preparado para um possível vestibular, mas sim, para o mercado de trabalho. Até porque, no Brasil, apenas 18% dos jovens seguem o caminho da universidade.

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Reportagem 3: Inovação
A estudante Bruna Gonçalves e outros amigos da turma de Técnico em Controle Ambiental do SENAI desenvolveram uma máquina inovadora de corte de vidros. O diferencial? Todos os itens que compõem o equipamento são reaproveitados, o que o torna muito mais barato que os convencionais. “Essa ideia de inovação mudou minha vida porque a partir de tudo que vejo penso se eu posso transformar aquilo em outro objeto que vai ter tanta utilidade quanto o anterior”, destaca Bruna.

Há várias formas de inovar. “Pode ser de processo, de marketing… todas as pessoas podem inovar”, diz a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio. A inovação promove melhorias, crescimento, produtividade. São necessários investimentos privados e do governo, estratégias e instrumentos para que o país possa se tornar mais competitivo. Assista:

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Reportagem 4: Infraestrutura
A dona de casa Rafaela de Oliveira, 28 anos, mora em Ceilândia, cidade localizada a pouco mais de 25 quilômetros de Brasília. A falta de saneamento básico é um dos principais problemas de seu bairro. “A água da privada e do chuveiro vai para a fossa que temos aqui”, conta. Infelizmente, essa realidade não é exclusiva da Rafaela: metade da população brasileira não tem coleta de esgoto.

“Infraestrutura não é só esgoto. É rodovia, ferrovia, é o celular que funcione bem e a luz que chega à sua casa. Infraestrutura é o insumo básico para o desenvolvimento econômico e social, para o crescimento produtivo e também para a dignidade mínima da população brasileira”, afirma a especialista em Infraestrutura da CNI, Ilana Ferreira. Segundo o economista Cláudio Frishtak, o Brasil investe pouco e mal no setor. “Quem sofre é a população”, ressalta. Modificar esse cenário é um desafio para o novo governo. Assista:

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Capítulo 5: Segurança Jurídica
“Quando a gente fala de burocracia no Brasil, a gente tá falando de um problema muito sério e que cria um gargalo imenso na viabilidade de instalação de indústrias no país”, diz a empresária Janine Soares. Para o constitucionalista Eduardo Mendonça, por aqui “há uma série de entraves burocráticos que não existem ou que são muito simplificados em outros países”.

Sem segurança jurídica, empresários não têm como como fazer grandes planejamentos. “São quase 6 milhões de normas produzidas desde 1988. Isso efetivamente gera uma insegurança jurídica, porque isso depõe contra a previsibilidade e a estabilidade normativa”, explica o superintendente jurídico da CNI, Cassio Borges. Por isso, o novo governo deve prezar pelo tema. Assista:

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Reportagem 6: Comércio Exterior
Investir em comércio exterior é investir no Brasil. “A gente precisa desburocratizar, diminuir os impostos, pois isso reflete nos nossos produtos. A gente tá com a faca e o queijo na mão, o que falta é eficiência”, acredita o empresário Jeová Souza.

E comércio exterior não é apenas para grandes empresas. “Uma pequena empresa que participa do mercado internacional tem produtos de melhor qualidade, inova mais, diversifica seu mercado e consegue, portanto, em situações de crise, sobreviver tendo um cliente internacional”, explica a especialista em Comércio Exterior da CNI Sarah Saldanha. Assista:

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SAIBA MAIS – Faça o download do documento Agenda dos 100 Dias – Brasil 2019 no Portal da Indústria. Acesse, também, o site do Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, que reúne documentos, reportagens especiais, entrevistas, vídeos e infográficos com as principais propostas da indústria para estimular o crescimento do Brasil.

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